De acordo com o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, dimensionar piso intertravado para tráfego leve, médio e pesado é a pergunta que define se o pavimento vai manter estabilidade e leitura visual consistente, ou se vai acumular deformações e correções ao longo do uso.
A decisão não se limita ao paver: ela depende da solicitação do local, da rigidez das camadas inferiores e da capacidade do conjunto manter travamento sob repetição de cargas. Prossiga a leitura e veja que quando o dimensionamento é coerente, custo e prazo ficam mais previsíveis, e a durabilidade deixa de ser promessa para virar resultado.
Solicitação real do local: Entendendo o que muda entre leve, médio e pesado
- Tráfego leve tende a estar ligado à circulação de pedestres e veículos pequenos em baixa frequência;
- Tráfego médio envolve recorrência maior de automóveis, vans e acessos de serviço, com manobras que já impõem esforços laterais relevantes;
- Tráfego pesado pressupõe cargas elevadas e repetitivas, como caminhões, ônibus ou áreas de carga e descarga, nas quais frenagem e giro concentram tensões.
A diferença central é a combinação entre intensidade e repetição, pois é ela que acelera deformações quando o suporte não está compatível.
Camadas que sustentam o conjunto: A base como determinante de estabilidade
O piso intertravado funciona como sistema: peça, assentamento, base, sub base e subleito respondem em conjunto. A peça distribui parte das cargas, porém o controle de deformação nasce da rigidez e uniformidade das camadas inferiores. Quando o subleito varia de suporte ou a base perde consistência, surgem afundamentos e ondulações que afetam conforto e drenagem.
Como enfatiza o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, muitos problemas atribuídos ao paver começam abaixo da superfície, pois a repetição de carga encontra o ponto mais frágil do conjunto e amplia esse efeito ao longo do tempo.
Espessura e padrão geométrico: O intertravamento sob esforço horizontal
A espessura do paver influencia a resistência local e a tolerância a solicitações mais intensas. Em tráfego leve, o sistema costuma exigir menos da peça e mais do controle de regularidade superficial. Em tráfego médio e pesado, aumentam tensões de contato e esforços horizontais gerados por frenagens e manobras, que testam o travamento entre unidades.

Na visão do Engenheiro Valderci Malagosini Machado, formato e padrão de assentamento têm papel relevante, pois ampliam área de contato e melhoram a distribuição de esforços, preservando a estabilidade do conjunto quando a solicitação é mais severa.
Confinamento lateral: Onde o pavimento ganha rigidez e previsibilidade?
Como aponta o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, o intertravamento só se mantém quando há contenção lateral eficiente. Sem confinamento, as peças tendem a se deslocar progressivamente, as juntas se abrem e o pavimento perde rigidez, acelerando deformações. Em áreas com tráfego pesado, esse efeito aparece com maior intensidade, porque forças laterais são mais frequentes e mais altas.
Água e finos: A influência discreta que altera o suporte
A água altera o comportamento do pavimento porque reduz a capacidade de suporte do subleito quando há saturação e porque facilita migração de finos entre camadas. Como resultado, a rigidez do conjunto diminui e a deformação se torna mais provável sob repetição de cargas, mesmo com peça adequada.
Esse efeito é especialmente sensível em locais onde a drenagem não se resolve apenas na superfície. Portanto, dimensionar também é considerar a estabilidade do suporte ao longo do tempo, mantendo coerência entre solicitação, condições de umidade e capacidade de distribuição de cargas do sistema.
Dimensionamento como garantia de desempenho em uso
Dimensionar piso intertravado para tráfego leve, médio e pesado significa alinhar solicitação, rigidez das camadas, geometria da peça e confinamento, preservando travamento e controle de deformação.
Como pontua o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, a previsibilidade surge quando o pavimento é tratado como sistema, e não como soma de componentes. Dessa forma, o intertravado mantém regularidade, conforto e durabilidade, com menor dependência de correções posteriores.
Autor: Scherer Schmidt