Victor Boris Santos Maciel, tributarista e conselheiro empresarial, CEO da VM Associados, expõe que empresas familiares representam parcela expressiva da economia brasileira, mas também enfrentam desafios específicos quando o crescimento do negócio exige estruturas mais complexas de gestão. A transição de um modelo baseado em decisões centralizadas para uma organização profissionalizada é apontada como fator determinante para a longevidade dessas empresas.
Sem ajustes estruturais, conflitos internos, falta de planejamento e ausência de controles tendem a comprometer resultados e a continuidade do negócio ao longo do tempo.
Quando o modelo informal deixa de funcionar
Na fase inicial, a proximidade entre sócios e gestores facilita decisões rápidas e reduz custos administrativos. Com a expansão, no entanto, esse modelo passa a apresentar limitações, especialmente em áreas como controle financeiro, gestão de pessoas e organização tributária.

Muitas empresas familiares enfrentam dificuldades ao manter práticas informais em operações que já exigem padronização de processos e definição clara de responsabilidades. A ausência de regras objetivas pode gerar conflitos, retrabalho e aumento de riscos operacionais, informa Victor Boris Santos Maciel.
Nesse contexto, a profissionalização surge como resposta à maior complexidade do negócio, e não como ruptura com a cultura familiar.
Governança como instrumento de equilíbrio entre família e empresa
A implementação de mecanismos de governança ajuda a separar papéis familiares das funções de gestão, estabelecendo critérios técnicos para decisões estratégicas e operacionais, explica Victor Boris Santos Maciel. Estruturas como conselhos consultivos, acordos societários e políticas internas contribuem para reduzir interferências emocionais em decisões empresariais.
A governança permite criar canais formais de diálogo e resolução de conflitos, preservando relações familiares enquanto protege a racionalidade da gestão. Além disso, a formalização de regras facilita a entrada de executivos externos e parceiros estratégicos, ampliando a capacidade de crescimento da empresa.
Sucessão planejada e continuidade dos negócios
A sucessão é um dos momentos mais críticos para empresas familiares. A falta de planejamento pode gerar disputas internas, perda de talentos e instabilidade operacional, comprometendo resultados financeiros e reputação de mercado.
Tal como alude o consultor em gestão e resultados empresariais, Victor Boris Santos Maciel, a sucessão deve ser tratada como processo gradual, que envolve capacitação de futuros líderes, definição de critérios de desempenho e preparação da estrutura organizacional para a transição.
Planejar com antecedência reduz riscos de ruptura e permite que a empresa mantenha sua trajetória de crescimento mesmo diante de mudanças de liderança.
Estrutura societária e proteção do negócio
Além de aspectos de gestão, a organização societária exerce papel relevante na estabilidade das empresas familiares. Estruturas pouco definidas podem dificultar decisões estratégicas, acesso a crédito e atração de investidores.
Victor Boris Santos Maciel observa que a revisão periódica da estrutura societária, alinhada ao estágio de crescimento da empresa, contribui para maior clareza de direitos, deveres e responsabilidades entre os sócios. Essa organização também facilita processos de expansão, fusões ou entrada de novos parceiros, sem comprometer o controle e a identidade do negócio.
Profissionalização como alavanca de desempenho
A adoção de práticas de gestão mais estruturadas não implica perda de valores familiares, mas pode potencializar resultados ao introduzir métricas de desempenho, metas claras e processos de avaliação contínua.
Empresas familiares que adotam modelos profissionais tendem a apresentar maior previsibilidade financeira, melhor controle de riscos e maior capacidade de adaptação a mudanças de mercado, demonstra Victor Boris Santos Maciel. Esse ganho de eficiência fortalece a competitividade e amplia as chances de sobrevivência em setores cada vez mais disputados.
Longevidade exige adaptação contínua
A permanência de uma empresa familiar ao longo de gerações depende da capacidade de se adaptar a novos contextos econômicos, tecnológicos e regulatórios. Modelos de gestão bem-sucedidos em uma fase podem se tornar obstáculos em outra.
Tal como considera e resume o CEO da VM Associados, Victor Boris Santos Maciel, a profissionalização não é etapa isolada, mas processo contínuo de aprimoramento, no qual governança, estratégia e gestão financeira precisam evoluir em conjunto.
Portanto, preservar a história da empresa e, ao mesmo tempo, prepará-la para o futuro se torna o principal desafio, e também a principal oportunidade, das organizações familiares.
Autor: Scherer Schmidt