O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta adote tratamento igualitário na distribuição de conteúdos relacionados aos candidatos à Presidência da República. A decisão foi divulgada em 15 de outubro de 2026, em Brasília, antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A medida foi tomada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze após a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva informar que uma ferramenta de inteligência artificial da empresa impedia a geração de imagens do candidato. O caso levou a Justiça Eleitoral a estabelecer que não pode haver restrições diferentes entre candidaturas no funcionamento dos recursos controlados pela Meta.
Segundo a Agência Brasil, a determinação alcança a entrega de publicações, os sistemas de recomendação e os resultados de busca nas plataformas da empresa. Entre os serviços controlados pela Meta estão Facebook, Instagram e WhatsApp.
O que a decisão do TSE determina
Na prática, a ordem exige que a Meta aplique critérios equivalentes quando seus sistemas lidarem com conteúdos associados aos candidatos à Presidência. O foco da decisão está na isonomia, ou seja, na obrigação de evitar que uma candidatura seja submetida a uma limitação que não seja aplicada às demais em condições semelhantes.
A determinação não se restringe à possibilidade de criar uma imagem por meio de inteligência artificial. Ela também envolve a forma como publicações podem ser distribuídas, recomendadas e localizadas nas plataformas. Esses mecanismos influenciam a visibilidade dos conteúdos políticos e, por isso, passaram a fazer parte do debate eleitoral conduzido pelo TSE.
A decisão prevê multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. O valor cria uma consequência direta para a empresa caso a ordem judicial não seja observada durante o período eleitoral. A medida ocorre em uma etapa especialmente sensível da disputa, às vésperas da votação do segundo turno.
Por que a inteligência artificial entrou no centro do caso
Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas para produzir imagens e outros conteúdos relacionados a pessoas públicas e candidaturas. Quando um recurso impede a criação de material referente a um candidato, mas não aplica o mesmo tratamento a outros, surge uma questão sobre equilíbrio na comunicação política digital.
Foi nesse contexto que a campanha de Lula levou ao conhecimento da Justiça Eleitoral a dificuldade para gerar imagens do candidato na ferramenta da Meta. A decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze respondeu a essa situação ao determinar que a empresa não adote restrições desiguais na entrega, nas recomendações ou nas buscas relacionadas às candidaturas.
Para os eleitores do Distrito Federal, que acompanham a disputa nacional e participarão do segundo turno, a medida reforça a importância de observar como conteúdos políticos aparecem nas redes sociais. A decisão não elimina a necessidade de verificar a origem e o contexto das publicações, mas estabelece um parâmetro de tratamento igualitário para os sistemas da empresa.
Impacto na reta final das eleições
A ordem do TSE chega dez dias antes do segundo turno e pode influenciar a circulação de conteúdos eleitorais nas plataformas digitais durante a reta final da campanha. Ao incluir distribuição, recomendações e resultados de busca, a decisão alcança diferentes caminhos pelos quais uma publicação pode chegar aos usuários.
O alcance da determinação também mostra como a Justiça Eleitoral passou a lidar com situações envolvendo ferramentas automatizadas e inteligência artificial. Em vez de analisar apenas o conteúdo final publicado, o tribunal considerou os mecanismos tecnológicos usados para criar, localizar e distribuir materiais relacionados aos candidatos.
A regra vale no contexto da decisão divulgada em 15 de outubro e tem como objetivo impedir tratamento desigual entre candidaturas. O cumprimento será acompanhado diante da possibilidade de aplicação da multa diária estabelecida pelo TSE. Até o segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026, a medida coloca a atuação das plataformas no centro da fiscalização eleitoral.
Com sede em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral é responsável pelas decisões nacionais sobre a organização e a condução das eleições. Neste caso, a corte determinou que a Meta preserve a isonomia no uso de seus recursos digitais por candidatos à Presidência, em uma disputa na qual a inteligência artificial passou a integrar diretamente a comunicação política.