O empresário especialista em educação, Sergio Bento de Araujo, acompanha com atenção o debate sobre o uso de telas no ambiente escolar. Em meio à expansão de tecnologias digitais, plataformas educacionais e inteligência artificial, tornou-se comum associar o aumento do tempo em tela à queda da atenção e da aprendizagem. No entanto, pesquisas recentes apontam para uma realidade mais complexa, que exige análise cuidadosa e decisões pedagógicas baseadas em dados.
A partir desse artigo o objetivo é discutir o que os estudos indicam sobre atenção infantil, uso de telas e aprendizagem, além de refletir sobre o papel da escola na organização desse uso. A proposta é superar visões simplificadas e compreender como contexto, mediação pedagógica e intencionalidade educacional influenciam os resultados.
Por que o debate sobre telas na educação costuma ser simplificado demais?
Grande parte das discussões sobre tecnologia e educação parte de uma lógica binária, na qual telas são vistas como vilãs ou soluções milagrosas. Essa simplificação ignora fatores pedagógicos, sociais e culturais que influenciam o processo de aprendizagem. O uso de tecnologia fora da escola, por exemplo, nem sempre é comparável ao uso orientado em contextos educativos.

Conforme elucida Sergio Bento de Araujo, esse tipo de abordagem superficial dificulta decisões eficazes. Quando o debate se concentra apenas na quantidade de tempo em tela, perde-se a oportunidade de analisar qualidade, propósito e organização do uso pedagógico. A educação exige leituras com mais nuances, capazes de considerar o papel do professor, do currículo e das estratégias didáticas na mediação da tecnologia.
O que as pesquisas indicam sobre atenção infantil e uso de telas?
Estudos recentes mostram que não existe relação direta e automática entre maior tempo em tela e redução da atenção infantil. Pesquisas comparativas indicam que fatores como organização do ambiente escolar, proposta pedagógica e interação social exercem influência mais significativa sobre a atenção do que o uso isolado de dispositivos digitais.
Esses achados sugerem que a atenção é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplas variáveis. Para Sergio Bento de Araujo, os dados reforçam a importância de decisões pedagógicas informadas. Ao invés de restringir indiscriminadamente o uso de tecnologia, escolas precisam refletir sobre como estruturar atividades que promovam engajamento cognitivo e participação ativa dos estudantes.
Como o contexto escolar influencia mais do que o uso isolado da tecnologia?
O contexto em que a tecnologia é utilizada desempenha papel central na aprendizagem. Ambientes organizados, com propostas claras e acompanhamento docente, tendem a potencializar o uso de recursos digitais, destaca Sergio Bento de Araujo. Já contextos desestruturados podem transformar qualquer ferramenta, tecnológica ou não, em elemento de dispersão.
Nesse sentido, o uso pedagógico das telas depende de planejamento curricular e intencionalidade. As escolas que integram tecnologia ao projeto pedagógico conseguem melhores resultados do que aquelas que apenas adotam ferramentas sem alinhamento. O foco deve estar na construção de experiências de aprendizagem coerentes, nas quais a tecnologia atua como apoio ao desenvolvimento de habilidades e competências.
De que forma escolas podem organizar o uso pedagógico das telas?
Organizar o uso das telas envolve definir objetivos claros, tempos adequados e estratégias de acompanhamento. Isso inclui selecionar recursos compatíveis com a faixa etária, planejar atividades interativas e estabelecer momentos de reflexão e troca. O uso equilibrado da tecnologia favorece a autonomia dos estudantes e evita sobrecarga cognitiva, expressa Sergio Bento de Araujo.
A formação docente é componente essencial desse processo. Professores preparados conseguem avaliar quando a tecnologia contribui para a aprendizagem e quando outras estratégias são mais adequadas. Investir na organização pedagógica do uso das telas é mais eficaz do que adotar políticas restritivas baseadas apenas em receios generalizados.
Como transformar tecnologia em aliada da aprendizagem e não em distração?
A tecnologia se torna aliada da aprendizagem quando está a serviço de objetivos educacionais bem definidos. Atividades que estimulam investigação, colaboração e resolução de problemas tendem a gerar maior envolvimento e atenção dos estudantes. Nesse contexto, as telas deixam de ser fonte de distração e passam a integrar o processo formativo.
Tal como Sergio Bento de Araujo defende, o equilíbrio entre inovação e intencionalidade é o caminho mais consistente. Escolas que adotam uma postura reflexiva conseguem utilizar a tecnologia para ampliar possibilidades de ensino, sem comprometer a qualidade da aprendizagem. O resultado esperado é um ambiente educacional mais dinâmico, crítico e alinhado às demandas contemporâneas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez