Moda e costura figuram entre os interesses de Cristiane Ruon dos Santos, colecionadora de objetos antigos, e ajudam a entender uma mudança silenciosa no guarda-roupa: o poliéster, fibra sintética derivada do petróleo, tornou-se a fibra têxtil mais produzida no mundo, à frente do algodão. A transformação explica por que as roupas de hoje têm toque, caimento e durabilidade tão diferentes das de décadas passadas. Entender a origem das fibras naturais e sintéticas facilita escolhas mais conscientes na hora da compra.
De onde vêm as fibras naturais e as sintéticas?
As fibras naturais têm origem vegetal ou animal. Algodão e linho vêm de plantas, enquanto lã e seda são produzidas por animais. Já as sintéticas, como poliéster, poliamida e acrílico, são obtidas a partir de derivados do petróleo em processos industriais que transformam polímeros em fios contínuos.
Existe ainda uma terceira categoria, a das fibras artificiais. A viscose é o exemplo mais conhecido, fabricada a partir da celulose da madeira, uma matéria-prima natural, mas por meio de processamento químico intenso. Por isso, não se encaixa com precisão em nenhum dos dois grupos principais, e a etiqueta de composição é a forma mais segura de saber o que se está vestindo.
Conforto e respirabilidade no dia a dia
A diferença mais perceptível aparece no corpo. Fibras naturais como algodão e linho absorvem a umidade e permitem a circulação de ar, o que as torna agradáveis em climas quentes. No universo da costura, que desperta a curiosidade de Cristiane Ruon dos Santos, a escolha do tecido costuma começar justamente por essa relação entre fibra e conforto.
As sintéticas funcionam de outra maneira. Em vez de absorver o suor, o poliéster tende a afastá-lo da pele e secar rapidamente, característica aproveitada em roupas esportivas. No uso cotidiano, porém, a mesma propriedade pode reter calor e odores, sobretudo em peças justas e dias abafados.

Qual tecido dura mais?
Em resistência mecânica, as sintéticas levam vantagem. Amassam pouco, mantêm a forma depois de muitas lavagens e resistem bem ao atrito. Em contrapartida, costumam formar pequenas bolinhas na superfície, o chamado pilling, e envelhecem de forma pouco elegante. Além disso, acumulam eletricidade estática com mais facilidade, detalhe que interfere no caimento de saias e vestidos.
As naturais seguem outro percurso. O linho amassa com facilidade e o algodão pode encolher, mas, bem cuidadas, lã e seda atravessam décadas. Muitas roupas antigas preservadas até hoje foram feitas com essas fibras, o que mostra que durabilidade depende tanto do material quanto da qualidade da confecção e da manutenção.
Cuidados de lavagem mudam conforme a fibra
Cada fibra reage de um jeito à água e ao calor. A lã encolhe e endurece quando exposta à água quente e agitação intensa, fenômeno conhecido como feltragem. A seda pede lavagem delicada e secagem à sombra. Na moda, assunto que figura entre os temas ligados a Cristiane Ruon dos Santos, respeitar essas diferenças prolonga a vida das peças mais do que qualquer produto especial.
As sintéticas, por sua vez, toleram lavagens frequentes, mas são sensíveis ao ferro de passar. Temperaturas altas derretem o tecido ou deixam brilho permanente, e por isso as etiquetas costumam indicar ferro morno ou dispensar o ferro. Secadoras em temperatura elevada também deformam fibras sintéticas, criando vincos difíceis de desfazer, mesmo com vapor.
Impacto ambiental das fibras naturais e sintéticas
Nenhum dos dois grupos está livre de impacto. As sintéticas liberam microfibras plásticas durante a lavagem, que chegam a rios e oceanos, e dependem de matéria-prima fóssil. O algodão convencional, por outro lado, exige grande volume de água e uso intenso de defensivos agrícolas em muitas regiões produtoras.
Os tecidos mistos, que combinam algodão e poliéster, reúnem qualidades dos dois lados, como conforto e resistência a amassados. Para quem, como Cristiane Ruon dos Santos, se interessa por peças que atravessam gerações, vale considerar que as misturas dificultam a reciclagem, já que separar as fibras é um processo complexo e ainda pouco disponível.